Em noites de chuva, me sinto seguro em casa, como se nada pudesse me acontecer. Sou infinito e imortal. Atemporal.
Em noites de chuva, acredito que todo o mal se abriga e deixa para atacar só no dia seguinte. Junto com aquele cheirinho de terra molhada e dezenas de folhas pelo chão.
Acredito que mesmo o pior dos monstros busca no interior de sua caverna, um conforto para esquentar seu coração.
É como se houvesse uma trégua universal, entende?
Em noites de chuva, aprecio o tempo comigo mesmo. Me permito aprender, criar e desfrutar de arte. Seja música, som, imagem ou palavras.
E escuto as mesmas músicas diversas vezes. Simplesmente por que é bom.
E como muitas besteiras. Adoro esta parte.
Janela adentro, o vento bate portas e me mata de susto, derruba os objetos da mesa e do quadro metálico preso na parede, solta as suas fotos.
E me dá uma baita saudade de você. Da tua risada gostosa e de tudo de bom que você me ensinou em todos estes anos.